Hoje olhei-me ao espelho e vi de novo aquele sorriso maroto que antes a vida me trazia... muito antes da faculdade e do trabalho, quando existir consistia em ser muito mais presente das minhas emoções e necessidades verdadeiras; quando o meu corpo era ainda algo estranho e o mundo à minha volta parecia incompreensível: quando brincar na lama me fazia sentir tão presente, tão puro e animal. Essa glória instantânea, irrepetível, única na sua singularidade; essa que me guiava nervoso, bem-disposto e atento nos dias que permanentemente desafiavam a minha criatividade e inteligência. Essa glória, mãe do sorriso maroto que tanto se tinha esquecido acertou-me de mão na cara enquanto água se vertia e outra se juntava. Esfregada e torcida, a minha pele que à muito assim não sentia, propagava as vibrações que inundavam os meus músculos e cérebro numa sensação de puro bem-estar visceral; tão presente e irrepetível.
Foi um momento que à muito se tinha perdido nas flutuações do tempo e que me fez sentir mais vivo.

