sexta-feira, janeiro 28, 2011

EXA III

Quando o acaso simplesmente não acontece, é de esperar que a persistência e o ânimo sempre elevado, levem a bom porto a melhor das intenções.
Mas, e quando assim não é, e por debaixo de nós, tudo parece simplesmente não querer acontecer?

Quando parar é a incógnita

Ao deixarmos as oportunidades escapar, deixamos também de viver mais um dia, tentando encontrar o local perfeito, e, ainda que novas oportunidades emirjam sempre que alguma se perde, a perfeição, quando nos escapa entre os dedos, parece destronar todas as convicções.
Por mim, as convicções mantém-se, mas, a teimosia em excesso, começa a tornar menos belo aquilo que a perfeição desejada poderia embelezar.
Quanto tempo me resta? Será a aceitação de realidades que não me sustentam os desejos tão negativa quanto prevejo?

Não sei; Começo agora a não saber

Não quero perder tempo em vão, procurando um ‘El dorado’, quando à minha volta todo um mundo de experiencias me escapa das mãos. Mas, também não quero abandonar convicções, que ainda que não disso passem, me fazem sentir mais vivo que nunca.
Sinceramente, já não sei, e não saber não é uma virtude minha.

quinta-feira, janeiro 27, 2011

EXA II

Sinto-me privilegiado por esta leveza de costumes a que fui habituado. Por alguma razão, talvez genética, talvez cultural, as condições básicas que fazem valer os meus dias, poucos problemas levantam ao mundo que me rodeia.
Ainda que, o conforto acalme o espírito a qualquer ser, a utilização da força e do intelecto para viver o dia-a-dia, nada me fazem perder. Alias, a preguiça e indolência que me arrastam, sempre que o conforto se instala, nada me fazem valer quando é preciso energia para actuar.
Assim, a privação destes maus estímulos, fazem-me sair da indigência e sem barreiras que me embalem, sinto-me mais eu.
Excedo-me, por vezes, tentando impor a outros esta convicção de modos, que, ainda que correcta, não seja imediatamente apropriada a todas as gentes.
Acho que podíamos ser mais simples, mais abertos e mais insensíveis a incitamentos desnecessários, e assim, caminhando em conjunto, em harmonia e fraternidade, facilitar o caminho para uma humanidade, onde o conforto dos gestos e das palavras superem a necessidade do conforto material.

quarta-feira, janeiro 26, 2011

EXA I

As estrelas cintilantes, que deambulam por estas ruas escondidas, parecem apenas perecer perante os olhos malvados de um poder há muito corrompido.
Os sorrisos fechados, por entre as paredes erodidas, abrem-se jovialmente, quando à sombra de tectos protegidos por semelhantes.
A força de espírito, ainda que perseguida por senhores da luxúria, parece nunca baixar guarda e sem rodeios ou superstições, vai avançando lentamente.

São humanos, pensamos nós. São bestas, pensam os vis.

A diferença que o lado humano tem na percepção da realidade, faz-me acreditar que o errado não prevalecera eternamente.
As repugnantes crenças que irrompem dos calabouços da mesquinhez, degradam a cada dia que passa, este aglomerado de gente a que chamamos de humanidade.
É um prazer, descobrir que algures, escondidos, cercados e acanhados por meios de estupidificação, existem ainda redutos onde a vida pode ser livre.

quarta-feira, janeiro 05, 2011

αυρεα

Não consigo dormir. Uma ideia impetuosa invadiu-me o pensamento ao ouvir algo que não esperava. Torna-se difícil descrever tudo o que a voz de um semelhante nos consegue transmitir, quando a melodia realmente nos toca. Foi um momento, um passar de canais a horas tardias que me fez dar contigo. Estavas acompanhada, e que bem acompanhada... A banda seguia-te num ritmo quase embalado, e a voz, saia-te livre como se cada traço do teu rosto transmitisse uma vibração muito única e precisa. Fiquei sem saber que pensar, então, escrevi-te para não te perder. Procurei-te mais tarde, e no meio de caos e informação, dei contigo, muito simples, sem grandes produções, só corpo e alma. Encantaste-me como nunca o tinham feito. Mexes-te com o meu mundo, e com as tuas palavras simples e serenas deixaste-me acreditar. Porque não? Porque não tentar? Sinto que posso chegar a algum lado, sinto que tenho algo para passar, algo para ser extraído e lançado ao mundo num amontoado de vibrações. Não sei bem o que és, mas escrever sobre ti dá-me mais certezas, mais vontade, mais acreditar. Talvez um dia retribua a inspiração.