sexta-feira, fevereiro 26, 2010

Momentos XII

Dissipo-me mais um pouco a cada dia passado na sombra de mim.

Vou avançando nesta rotina permissiva de ilusões e roubos de identidade, e sem querer saber, sei que dificilmente me conseguirei afastar.
Faltam-me rotinas saudáveis, processos claros e sem enredos. Falta-me ser justo e aceitar que mais cedo ou mais tarde algo terá que ser feito.

Feitio torto, sempre a esticar cordas para ver até onde aguentam.
Mente perversa, tentado provar que as regras existem para ser quebradas e que só as convicções são absolutas.
Objectivos difusos, arrastando ideias de canto em canto na esperança que algum tipo de alumiação divina se dobre perante mim, entregando-me de bandeja o destino.

A inquietude de espírito eleva-me, mas como todas as contradições na vida, prende-me também ao chão com correntes invisíveis, partindo em dois aquilo que me faz sentir livre.

Em suma, ao perseverantemente tentar viver a vida de todos vou deixando para trás aquilo que só a mim me compete viver.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Apenas

Tão perto, tão certo
O fluxo que vive e arrasta o tempo, pára perante o apenas...

Apenas tu

sábado, fevereiro 20, 2010

Carnaval

As águas rolaram, a garrafa acabou vazia

A toa da vida teve o seu auge e sem preconceitos brindámos à existência, ao livre arbítrio e à vontade de continuar.

Foram dias, noites, horas, minutos, segundos... Tempo criado com o simples propósito de nos suportar a essência.

Ao primeiro contacto, soubemos imediatamente no nosso íntimo que fomos feitos um para o outro. A tua força moldou-me, embalou-me, e contigo no meu ser cresci assim.

Nada me lembro, mas tenho presente no peito a nossa primeira exposição. Cada batida estremecia os muros que me sustentavam, a cada passo milhares avançavam no giro, a cada suspiro um copo caia vazio. Foi assim que me mostras-te quem eras, e eu escolhi.

Num só dia me moldaste, mas todos os anos me seguras. Fazes-me amar como nunca amei, aconchegas-me como nenhum harém me poderia aconchegar, és parte de mim e qual momento da criação, quando existimos somos um só.

Hei-de sempre atender às tuas chamadas, hei-de sempre cantar-te e carregar-te aos ombros, hei-de sempre sentir-te.

Venham mais mil

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Voos

Depois do auge, vem a tormenta

Falta-me aquele reduto de tranquilidade que tão bem representavas.
Sinto-me só

O corpo extingue-se e sem mão que o segure tudo parece não passar.
Sinto-me desamado

A fragilidade do espírito face ás repentinas mudanças de cenário abriu espaço para o vazio.
Sinto-me sem rumo

Enganas-me em sonhos e sem luto ou piedade fazes-me acordar.
Sinto-me logrado

Não sei mais quem és e a incerteza das situações despromove a confiança.
Sinto-me mal

Envenenaste-me o sangue e com tenazes em chama abriste o meu coração.
Sinto-me pouco

Contudo, o que me fazes sentir, seja ou não verdadeiro, assalta-me sem aviso para me relembrar que basta viver para amar.

Depois do auge, vem a tormenta