Dissipo-me mais um pouco a cada dia passado na sombra de mim.Vou avançando nesta rotina permissiva de ilusões e roubos de identidade, e sem querer saber, sei que dificilmente me conseguirei afastar.
Faltam-me rotinas saudáveis, processos claros e sem enredos. Falta-me ser justo e aceitar que mais cedo ou mais tarde algo terá que ser feito.
Feitio torto, sempre a esticar cordas para ver até onde aguentam.
Mente perversa, tentado provar que as regras existem para ser quebradas e que só as convicções são absolutas.
Objectivos difusos, arrastando ideias de canto em canto na esperança que algum tipo de alumiação divina se dobre perante mim, entregando-me de bandeja o destino.
A inquietude de espírito eleva-me, mas como todas as contradições na vida, prende-me também ao chão com correntes invisíveis, partindo em dois aquilo que me faz sentir livre.
Em suma, ao perseverantemente tentar viver a vida de todos vou deixando para trás aquilo que só a mim me compete viver.
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