domingo, dezembro 27, 2009

Pássaro

Queria dizer-to
Chamar-te à minha mão, sentir tuas penas e sem penas contar-te o que do topo das nuvens se atenta

Queria narrar-te
Despir-te os olhos e através de ti roubar ao céu aquilo que só a nós pertence

Queria não sentir
Soltar-te pássaro alegre, soltar-te sem olhar para trás e deixar-te voar sem medo que o vento te leve, que ave maior te colha

Queria saber-te bem
Seguir teus passos, pisar tua rota e estar certo que a natureza te cuida

Queria-te perto
Longe dos perigos do oceano, perto de terra e da sombra das árvores

Queria-te aqui


Sei que não controlas o vento e que as asas te levam até onde o tempo permite, mas quando a chuva restar sei onde farás o ninho

terça-feira, dezembro 15, 2009

Acontecimentos

Eram como bolas de fogo pairando no breu do céu invernal

Curioso, observei-as como quem vê a primeira luz da vida e quase sem fôlego contemplei a sua natureza como se num só instante tudo pudesse acabar

Os seus movimentos pareciam lembrar constelações num constante movimento, como se a criação do universo pairasse sobre mim

Lentamente, como se o sopro de uma deusa gentilmente as acariciasse, afastaram-se

Ao sentir a magia escoar-se corri ao seu encontro, tentando sem asas acompanhar um pouco mais da sua beleza

Segui então as suas pegadas. Dirigi-me como pude, mas sem asas nem anjos rapidamente lhes perdi o rasto e em breves instantes apenas uma dessas arcas de sonhos preenchia a minha presença

Foi então que parei

Descansei enquanto a ultima pairava sobre mim, imóvel, como quem chama por nós num grito inalcançável

Já sem esperança, contemplei-a mais um pouco. Absorvi por inteiro o que dela restava até que as chamas que lhe davam vida cederam a um ultimo suspiro

Incrédulo, desisti

Voltei então ao meu caminho marcado por tal sensação. Iluminado, perdido, confuso com o que de tão belo se passara, convenci-me que o mistério permaneceria eterno

Foi então que percebi

sábado, dezembro 12, 2009

Momentos IX

A incoerência das vidas leva-nos a deixar o nós para viver os outros.
Agarramo-nos ao que é mais facil. Julgar, criticar, detorpar, destruir; E porque?

Cada um no seu mais profundo ser tem a resposta, mas é um facto que viver a nossa sina é o maior exercicio de ascensão conhecido pelo homem.
A vida não é mais que um equilibrio entre o certo e errado, entre o bem e o mal, entre aquilo que na nossa mente nos afasta ou aproxima de um estado de absoluto deleite.

Este eterno balanço que nos embala, que ás vezes nos inibe assim como nos eleva, leva facilmente o mais comum dos mortais a procurar abrigo, fechar-se entre paredes e deixar de acreditar.

Este é o grande desafio do Homem, o auto-conhecimento, a busca por um lugar dentro de si.

sexta-feira, dezembro 11, 2009

Intimo

A tua indiferença faz-me pensar se realmente vale a pena. Revolta-me, dá-me esperança, satisfaz-me, magoa-me. Confundes-me num mar de emoções, enquanto me esforço por rumar a bom porto.

Será coerente esta constante preocupação, o sempre presente sentido de responsabilidade, a firme prontidão à qual me propus? Fará sentido continuar a segurar-te apenas quando os ventos se agitam? Quando o leme se parte?

Ainda que coerente, não será certamente justo.
Total ausência de gratidão. Inerte vontade de perdoar.
Depois de tudo o que passámos, a amizade não podia morrer.

Basta-te um sorriso, uma palavra, um leve sopro de presença para tudo valer a pena.
Basta-te um olhar sincero para que todas as duvidas se desvaneçam.
Basta-te querer.

Agora percebo o que significa dar para não receber, percebo o amor que rejeitei cruelmente durante anos e ainda que sem pensar continuo a rejeitar.
Outras histórias, o mesmo mote. Um circuito de vida que se revela, passagens que nos atiram para jogos de sonho e saudade, caminhos que trilhamos numa eterna insatisfação.

Tudo isto dói.

Dói não conseguir jogar-te
Dói pensar em ti como se tudo pudesse voltar a acontecer
Dói sentir-me em casa quando te oiço
Dói quando te faço rir
Dói saber ainda o cheiro dos teus cabelos
Dói conter o vazio no estômago quando te vejo
Dói não ter um porto onde sossegar
Dói imaginar-te como berço de outrem
Dói acreditar em falsas promessas
Dói ser um velho brinquedo que usas quando o novo não chega