quarta-feira, fevereiro 23, 2011

Pedaços IV

Há sempre esta fome que vicia

A obtenção da perfeição nos hábitos pede de mim mais do que num instante inicial consigo imaginar. Os dias correm, atropelam-se e arrastam-me numa deriva que nem sempre consigo descodificar dada a imensidão de estímulos que me rodeiam a cada momento.
Ao querer controlar absolutamente a direcção do meu tempo, deparo-me com uma serie de cruzamentos, inversões de sentidos, entraves, condicionantes, hábitos e influências externas, que, fazendo já parte do meu universo se tornam agora difíceis de digerir.

Desanimo por vezes; Recosto-me e procuro um degrau que me ajude a descer tão íngreme cadeia de desabituações, e com a má ajuda de situações preexistentes, agarro-me vigorosamente enquanto me fixo no próximo patamar.
São dias difíceis, nunca com a sensação de dever cumprido e raramente com a tranquilidade de quem fez tudo o que podia para merecer o descanso necessário. Os pensamentos travam uma luta constante, tentado contrariar-se, apresentando escolhas, alternativas, modos de vida, e as tomadas de decisão, pedem-se cada vez mais convictas e independentes de velhas razoes.
Ainda assim, faço por seguir o caminho da consciência, aquele que a natureza me escreveu no corpo, e que uma sociedade já ultrapassada durante anos me fez esquecer.

É tempo de redenção, de curar costumes, de rever, reviver e tirar de uma vez por todas certezas irrefutáveis sobre aquilo que me faz rejubilar. É tempo de cultivar ideais que tendo apenas sido jogados à terra, não tiveram antes as condições que necessitavam para se desenvolver plenamente.
Chega de compactuar, de fazer parte, de seguir rebanhos de vontades iludidas; Chega de não me acreditar a cem por cento, de esperar por sinais, por momentos certos ou por estabilidades emocionais que nunca chegam a existir.

Hoje, estabilizo eu as prioridades, escolho eu os momentos e, em vez de esperar, crio e lanço ao mundo os meus sinais.

Há sempre uma luz que faz chegar a bom porto

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Friends I








Maybe my life end tomorrow
Maybe this never ends
I will always carry sorrow
By the people that I borrow
And never become friends

In fact, I am just happy
For the fact that I can know
All the people in this crappy
With a nature really trappy
And learn in order to grow

Therefore, I like to think
That I always can be able
Nothing is written with ink
If I try, and not just wink
Everything is possible

to M.

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Conjunção

Os quase enfartes a que me sujeitas, ainda que lesivos, serão sempre recebidos com o carinho de quem te quer bem.

Ainda que as mais-valias pareçam perdidas por entre os empoeirados álbuns de fotografias, tudo me faz convencer, que só não podemos conquistar aquilo que à partida tomamos como impossível.

Tento processar-te, guardar-te completa, construída, mas uma vida, talvez não seja o suficiente para traduzir tudo aquilo que em mim evocas.

Faço por entender, racionalizar, e ainda que esta não seja uma matéria onde a lógica pura me domine, penso que consigo bem suportar o papel a que me propus.

Ultrapassei há muito o esquecer, o aliviar dos dias, o esbracejar por um sinal que me recuperasse a visão, mas o interesse, a amizade, a moldura nobre e poética onde te expus no meu peito, continuam intactas e convictas, apertadas pela certeza que as boas intenções, sempre serão alegria e nunca tristeza.

Desisti há muito de puxar limites, de testar caracteres, de entender profundamente as felicidades alheias, mas, ainda assim, continuarei fiel, defendendo os princípios que me fazem viver em harmonia com os outros.

Talvez não nos façamos concordar; Talvez no fundo sejamos um só pensamento, e entendendo as causas dos motivos, deixamo-nos simplesmente existir, sem nunca acordar as acções duma realidade há muito jogada ao mar.

Assim, continuo com as palavras, com as trocas e partilhas, com a criação de hábitos epistolares, que, não só transportam leveza aos dias menos suaves, como me fazem também existir na mente dos que longe se encontram.

Posso não ter a razão do meu lado, não me afligiria com isso, mas, depois de todo o viver, de todos os caprichos e mordomias enterradas, não mais encontrei sentimentos como os que me entregas. São esses, os sentimentos, alma daquilo que me guia e acredita, a razão que me impele a chegar-te no auge da redenção.

Serás sempre um motivo sem causa, mas um motivo inato à minha natureza.

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Nós III

Porque me mentes?

Observo-vos o andar, os instintos e movimentos, e como viajar num carrossel onde um dia fomos menores, relembram-me algo que outros têm feito esquecer. As cores transformam-se, espalham-se, circulam livres por entre padrões que só a perfeição construída pôde suportar. Os olhares trocam-se, sentem-se, e com a subtileza de acções embutidas por eras, fazem-se rapidamente aperceber. São códigos, pedaços de pensamento que não têm de ser pensados, processados, mas que existem porque as regras fazem parte do equilíbrio. Os jogos de poder abundam, fazem-se merecer, e como se toda a vida deles dependesse, disputam-se ferozmente com a raiva irracional que já quase não nos pertence.

Olho-vos, distante, sentado, como se uma galáxia separasse os nossos mundos, mas, ainda assim, coexistimos, sustentamo-nos, e num equilíbrio cada vez menos justo, mostramos-vos que a racionalidade nem sempre chega para os pequenos desafios que a natureza nos marca. Oferecemos-vos a maior das diversões, ensinamos-vos, e como se representasse-mos o apocalipse, sucumbimos a cada dia, felizes de figurar tão celebrado papel. Somos tão simples, premeditados e ajustados ao que escolhemos, que nos falha sempre o mais básico, o mais real, o mais perfeito.

Porque sou um animal selvagem.

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Tempo










O tempo não me existe; Antecede-me

O tempo criámos nós, limitando fronteiras, retendo ilusões. O tempo é a vida, e a vida, é o tempo que temos.
Cada tempo, é o nosso tempo; É aquilo que transformamos e o que em nós transforma; É o nosso reflexo em algo, em alguém.
O tempo, é o tamanho da sede que faz entornar a alma nas planícies da imaginação.

O tempo não me existe; Sucede-me

Composições III












Procuro sentir
Exploro cada casa
Transformar ideias, sonhar
Voltar a sorrir, voar
Adiantar o que me atrasa

Caminhos feitos, moldados
Entregam respostas sempre
Não trato porem
A ilegitimidade que advém
De rescrever o presente

Deparo-me com mais dotados
Escondo sem qualquer brio
Todas as frases amadas
Tantas palavras cuidadas
Num sopro, tudo fugiu

Composições II












Como animais fugindo
Corremos
O dia acabou
Mais uma vez

O sóbrio homem gentil
Observa
Bebe do cálice
Mais uma vez

O grande ciclo da vida
Abraça
Foge de nós
Mais uma vez

A genética diluída
Transforma-se
Volta a nós
Mais uma vez

Os dias caem como chuva
É estranho
As pessoas partem-se na cidade
É estranho

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Composições I

As saudades adiam-se
A manhã brilha ao acordar
A corada brisa arrasta-me
Não me permite recordar

Deixei velhos seres, costumes
Pequenos tesouros, historias
Em caixas repousam seguros
Enquanto acosso vitórias

Fixam-me com tanto afecto
Sinto o peso das raízes
No entanto, apenas sigo
Faço meus dias felizes

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

τρια

O nome invocava despedida, mas as portas que me abria, fazia-me caminhar num novo mundo de descobertas. Eram três, juntas, harmoniosas, gentis. Três semideusas, armadas de harpas celestiais, que aos meus sentidos faziam chegar as mais belas composições. Tinham a profundidade de um nome que carrega carácter, e sem se fazerem menos doces, despejavam sobre mim todo um legado de sensações. Descobri-vos, absorvi-vos, e não querendo desfazer a magia do momento, usei-vos delicadamente. Ainda assim, segui-vos, e invejando tão bela combinação, ansiava por encontrar um mesmo destino.
Talvez fosse essa a invocação da despedida. A despedida que antecede a chegada a um mundo feito pelas nossas mãos.
Foram mais um sinal, um dos tantos que criei. Ainda assim, um sinal que no momento certo, me fez querer mais procurar outra realidade.

Pura

Depois de um longo adiar, finalmente encontramo-nos.

Nunca te estranhei, mas talvez as desconfianças alheias, alguma suspeita tivessem levantado perante toda a tua bondade. De qualquer forma, sempre procurei concluir acertadamente, e assim sendo, caminhei descontraidamente até ao número 26 de tão mal chamada rua. O nome invocava vingança, mas o aspecto, pouco de incomum tinha quando comparado com qualquer outra rua de Atenas. Depois de observar as campainhas, e de com esforço me lembrar do nome que me disseras, toquei à que me pareceu ser a correcta, e com um impaciente bem-estar, esperei ouvir a tua voz simpática no pequeno e gasto auscultador.
Mandaste-me subir, e sem muito em que pensar, apenas subi.
Lá estavas tu, sempre com o teu estilo, descontraída, rebelde, bonita e com um sorriso que sempre se abriu para me receber. Cumprimentei-te, retribui-te o grande sorriso, e seguindo o teu olhar ternurento, segui-te até à sala.
A sala era um espaço só teu. A decoração era mínima, e consistia numa mistura de coisas que sempre existiram com aquilo que te foi pertencendo, e nesse peculiar complexo de cores e sabores, tinhas criado um cantinho onde qualquer alma podia descansar.
Trocámos impressões sobre como o nosso encontro tinha sido por tanto adiado, e depois de amigavelmente me fazeres um café, atirámo-nos ao que realmente interessava.
Enquanto o fumo subia, as almas elevavam-se a um nível que por muito tinha deixado de encontrar. Não me tinhas enganado, nem tão pouco eras a pessoa descontraidamente fútil que me queriam fazer ver, e sem mais qualquer espécie de preconceitos, entregamo-nos à conversa.
Não sei por onde começamos, mas certamente seguimos a rotineira troca de palavras com que começam todas as amizades, e assim, o tempo foi passando, o café foi-se ingerindo, e o fumo continuava a subir pelas paredes daquela pequena tenda de prazeres.
Falavas-me agora daquilo que praticavas para sobreviver, e em sintonia, partilhava-mos um pouco da revolta que sentíamos sobre o que nos rodeava. De repente, numa mistura de risos e olhares relaxados, escondeste as tuas jóias e transformaste-te num outro ser. Eu, ainda que um pouco admirado com tão peculiar proeza, não pude deixar de me deliciar com aquilo que apresentavas. Eras mais uma vez, tudo aquilo que querias ser, e numa sempre convicta postura, encontravas-me enquanto te descobria.
Mostravas-te cada vez mais eu, e pela segunda vez desde que aqui cheguei, senti que encontrara alguém com quem podia conviver eternamente. Não paravas de me surpreender. Falávamos de pequenas grandes convicções, de sinceros desejos e de como no dia-a-dia, ultrapassávamos a íngreme descida que nos faz seguir em frente.
As horas iam passando, e numa subtileza muita caseira, momentos de puro deleite caiam aos nossos pés, como se de partículas de pó se tratassem.
Ensinaste-me o teu falar; Tentei por rápido aprender. A tua aptidão para as línguas era claramente superior, mas com a paciência sempre intacta de uma sensata tutora, encontravas a melhor maneira de me fazer entender.
Depois, partilhamos o nosso interesse pelo gravar dos momentos, pelo poder dos símbolos, e de como, a cada vontade de nos expressarmos, encontravamos uma maneira de a imortalizar. Não entendemos a escrita do outro, mas o partilhar de eleições, foi mais um momento para guardar.
As horas já iam altas, e a noite já sussurrava sobre nós. Assim, separei-me daquele massivo conforto, e fiz por continuar.
Quando me preparava para te abandonar, pois todos os bons momentos têm um tempo para serem apreciados, mostraste-me a tua antiga armadura, e desprevenido, apanhaste-me numa mal disposta incapacidade de te ajudar. Senti-me minúsculo, não sabia que dizer. Penso sempre que existem problemas de que me posso fazer esquecer, e sem que encontre alguém que me faça ver a realidade, ignoro que o sofrimento caminha ao lado do mais normal dos dias.
Estava estupefacto, e a cada segundo mostravas-me mais profundas marcas que te tinham moldado de uma maneira pouco desejada. No entanto, mostravas-me isto com o mesmo sorriso humilde e carinhoso com que me mostravas as tuas recordações de infância, e como se nada tivesse sido, continuavas a deixar-me sem palavras que valessem.
Mais uma vez, tinhas-te mostrado muito mais que aquilo que aparentavas ser, e sem querer tratar-te de uma forma diferente da que até ali te tratara, despedi-me com um sorriso, um cumprimento, e a promessa que nos encontraríamos mais vezes.
A porta fechou-se, e com o peso de uma consciência do tamanho do universo, a vazia escada que me rodeava parecia agora mais real que nunca. Revia-te na minha mente, e numa desesperada tentativa de encaixar toda a informação, fazia por reconstruir a imagem que até ali tinha feito de ti. Pareceste-me naquele momento, muito maior que eu, e confuso, imaginando-me no teu lugar, sofria, sabendo que a qualquer um podia assim acontecer. Desorientado, desci a escada embalado pelos pensamentos, e sem mais te conseguir apagar, pus-me a caminho de outra casa.

Guardei-te, mas espero poder guardar-te um pouquinho mais neste pedaço da minha vida.

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Carvão

“Tenho pena que as amizades em tempos vividas não possam ser resgatadas do poço de intrigas no qual as esconderam”
Esta foi a premissa, mas as conclusões, só mais tarde se revelaram perante mim.

Guardei esta frase durante anos, mas nunca me senti confortável para a adornar com palavras, e com elas, perceber o porquê de tão ruinosas relações. Agora, acho que entendi, absorvi, e já sem espelhos de um passado que ainda por vezes me ofuscava, assenti um futuro onde tudo se desvaneceu.

Foi difícil ultrapassar-vos, e talvez por isso, nunca tenha deixado de vos alimentar. Pesava-me por vezes, ver-vos deambular nas calçadas, carregando posturas de poder acompanhadas de cegos caprichos. Carregava um fardo, que sempre me dizia que podia ter feito melhor, e que talvez, com vocês ainda pudesse aproveitar algo. Achava que não só eu via o mundo de outra forma, e que a longínqua adolescência, viria a ser não mais que motivo de risadas no meio de futuros cafés.
Infelizmente, a mudança acertou-nos de formas diferentes, e, ainda que as virtudes não fossem as mesmas, certas características são essenciais a qualquer ser. Esperei que as ganhassem, mas esperei em vão. Certos gestos não se ganham, adquirem-se, e sem vontade que acompanhe o passar dos dias, parados no tempo ficaram.

Gostei realmente de vocês, e sem que soubessem, queria-vos muito mais do que aquilo em que se tornaram.
Tiraram-me tanto; Tornaram-me tão maior

EXA IV

Tento não adormecer

Os desejos crescem, e com eles, uma consciência alargada, torna-me um cidadão do mundo.
O berço da civilização ocidental, absorve-me, digere-me, e sem confusões ou intrigas, cospe-me de volta ao século XXI.
Altero percepções, acordo dormências, e como se regredisse para um estado mais ágil, encontro uma solução.
Estamos aparentemente tão longe, e ao mesmo tempo, tão próximos de conseguir o que há tanto se idealiza.

Vejo pequenos passos. Vejo graça nos actos

Enquanto alguns se mitigam, muitos outros se abrem, e, com as vitórias de todos, construo um caderno de permissões.
Violo indolências, altero capacidades. Descolo-me de falsas simpatias, e sem nada a perder, vou ganhando esta batalha.
Os actos são pequenos, ainda. Os gestos são pouco férteis, mas produzem. As chamas da autoridade, têm agora que escolher caminhos.
Quanto a nós, temos que preferir, pois aos poucos, a desumanização torna-se escolha, e não um requisito para continuar.

Tento libertar-nos

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

Linhas

Porque não consigo sempre escrever?

Não entendo a distância entre um texto escrito em cinco minutos e a incapacidade de escrever duas linhas que me soem naturais.
Aparentemente, apenas consigo escrever quando a escrita assim o quer, e, como se não controlasse o pensamento, as palavras saem, sem que nunca nelas tenha pensado antes.
No momento, as ideias fluem, como se de repente, uma pequena peça de teatro se desenrolasse no meu íntimo, e sem ter que ligar os pensamentos ao acto de escrever, as manchas fixam-se no papel.

Quando penso no motivo desta escrita, descubro rapidamente, que é o libertar de ideias sem limitações e a paz interior que consequentemente adquiro, que me faz avançar.
Não preciso de um bom ouvinte para escrever, nem tão pouco de me expor defendendo conceitos que ainda não sei correctos. Sou apenas eu e uma superfície onde rabiscar.
Depois disso, a tranquilidade que me atinge, resolve problemas, assenta pontos de vista, faz conexões e constrói mais um bocadinho daquilo que é a minha perspectiva da realidade.

Por outro lado, nos momentos em que a intenção tenta superar a espontaneidade, tudo parece desaparecer, e vazio, sinto-me incapaz de transmitir para o papel aquilo que quero demonstrar.
Quando penso na forma como este gosto se propagou, tudo isto não passou de uma serie espasmos mentais, que em algum momento, se tornaram marcas num papel. Alem disso, a falta de método, ainda que de alguma forma me fascine, torna de certo modo, sem valor, este hábito que criei.

Que significam então estes textos?