“Tenho pena que as amizades em tempos vividas não possam ser resgatadas do poço de intrigas no qual as esconderam” Esta foi a premissa, mas as conclusões, só mais tarde se revelaram perante mim.
Guardei esta frase durante anos, mas nunca me senti confortável para a adornar com palavras, e com elas, perceber o porquê de tão ruinosas relações. Agora, acho que entendi, absorvi, e já sem espelhos de um passado que ainda por vezes me ofuscava, assenti um futuro onde tudo se desvaneceu.
Foi difícil ultrapassar-vos, e talvez por isso, nunca tenha deixado de vos alimentar. Pesava-me por vezes, ver-vos deambular nas calçadas, carregando posturas de poder acompanhadas de cegos caprichos. Carregava um fardo, que sempre me dizia que podia ter feito melhor, e que talvez, com vocês ainda pudesse aproveitar algo. Achava que não só eu via o mundo de outra forma, e que a longínqua adolescência, viria a ser não mais que motivo de risadas no meio de futuros cafés.
Infelizmente, a mudança acertou-nos de formas diferentes, e, ainda que as virtudes não fossem as mesmas, certas características são essenciais a qualquer ser. Esperei que as ganhassem, mas esperei em vão. Certos gestos não se ganham, adquirem-se, e sem vontade que acompanhe o passar dos dias, parados no tempo ficaram.
Gostei realmente de vocês, e sem que soubessem, queria-vos muito mais do que aquilo em que se tornaram.
Tiraram-me tanto; Tornaram-me tão maior

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