Os quase enfartes a que me sujeitas, ainda que lesivos, serão sempre recebidos com o carinho de quem te quer bem.Ainda que as mais-valias pareçam perdidas por entre os empoeirados álbuns de fotografias, tudo me faz convencer, que só não podemos conquistar aquilo que à partida tomamos como impossível.
Tento processar-te, guardar-te completa, construída, mas uma vida, talvez não seja o suficiente para traduzir tudo aquilo que em mim evocas.
Faço por entender, racionalizar, e ainda que esta não seja uma matéria onde a lógica pura me domine, penso que consigo bem suportar o papel a que me propus.
Ultrapassei há muito o esquecer, o aliviar dos dias, o esbracejar por um sinal que me recuperasse a visão, mas o interesse, a amizade, a moldura nobre e poética onde te expus no meu peito, continuam intactas e convictas, apertadas pela certeza que as boas intenções, sempre serão alegria e nunca tristeza.
Desisti há muito de puxar limites, de testar caracteres, de entender profundamente as felicidades alheias, mas, ainda assim, continuarei fiel, defendendo os princípios que me fazem viver em harmonia com os outros.
Talvez não nos façamos concordar; Talvez no fundo sejamos um só pensamento, e entendendo as causas dos motivos, deixamo-nos simplesmente existir, sem nunca acordar as acções duma realidade há muito jogada ao mar.
Assim, continuo com as palavras, com as trocas e partilhas, com a criação de hábitos epistolares, que, não só transportam leveza aos dias menos suaves, como me fazem também existir na mente dos que longe se encontram.
Posso não ter a razão do meu lado, não me afligiria com isso, mas, depois de todo o viver, de todos os caprichos e mordomias enterradas, não mais encontrei sentimentos como os que me entregas. São esses, os sentimentos, alma daquilo que me guia e acredita, a razão que me impele a chegar-te no auge da redenção.
Serás sempre um motivo sem causa, mas um motivo inato à minha natureza.

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