terça-feira, abril 20, 2010

Imunidades









Vestidos beijados em pranto
Vislumbre de um véu indeciso
Cantos outrora queixados
Jogados à rua num riso

Vísceras mal amanhadas
Olhares forjados por bestas
Marias dementes gritavam
A vida abrume os poetas

Recusei tua indecência
Desprezei teu mal cultivo
Sorri de lágrima ao peito
Ao ver tão falso feitiço

Doce e fiel alegria
Certo és por estares presente
Salvaste-me a dignidade
Dos caldos daquela gente

Por mim a noite chamava
Deitei-me nela despido
Como os anos me ensinaram
Rasguei asas ao cupido

Ambrósia falava por mim
Deixei-me levar baixinho
Dancei uma valsa redonda
Com duas gémeas de vinho

Sentei-me então na penumbra
Rodei-me de profetas
Recordei suas heranças
Ansiei por descobertas

Pouco tardou a chegar
O sinal que precavia
Rápido fui a largar
Aquilo que me trazia

Desculpas diriam os burros
Todo o mal jazesse aqui
Usa-te desta tourada
Que a escola vai ter um fim

Somos todos animais
Adoramos o que é quente
Verdes fui mantendo os anos
Na reserva de um presente

Tanta luz por mim trocada
Acordou uma certeza
No meio de tanta estocada
Nada resta de beleza

Assim parecem findar
Os amores que me guiaram
Longes ficam em branco
As horas que vos guardaram

Dancem, durmam ou morram
Comam, matem ou mamem
A vida é de quem a corre
Quem fica p’ra trás não ganha

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