Penetram-me as vozes que existem; As de agora, que ecoam a sabedoria acumulada desde a génese, qual sinfonia permissiva, simbiótica intemporal, combinando cada pedaço de matéria, reflectindo todas as sensações abertas à consciência numa voragem cónica, nunca desprovida da razão que lhe impõe a geometria. Existo numa verdade eterna, no confinamento de um espaço e tempo aparentes, tentado em mim dissolver as ideologias que nos dissolvem, fazendo o círculo girar e manter-se em equilíbrio. Este rodopiar devorador, criador pela visão, instrumenta-nos, maquina preciso ao passo de períodos que ainda não nos existem.
Sou regra, forma por detrás da verdade, transformando-me sem opções, sem vontade mentida, deixando girar, livre para seguir a ordem do Universo.
Queremos ser mais que a razão, ser o objecto contemplado, mordiscado e cumprido pela sinceridade humilde que pertenceria à ilusória objectividade da criação. O propósito não chega para entender a virtualidade do ego, das barreiras levantadas por miseráveis milénios de ostentação premeditada. Inquirimo-nos procurando respostas, vasculhando significados onde o significado não somos.
Sei-me Ferramenta; Sei-nos Contemplação

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