Encosto-me, confortável nas previsões que lisonjeiam o que não existe. Espero que o fumo dos especulativos cigarros construa, que as borras dos divinatórios cafés concretizem e sem nunca vacilar na realização do inumerável, aguardo um futuro que não é.
Escorrem assim as marés, na continuidade de um vazio preenchido pelo olhar dos homens, pelos sentidos da matéria inteligentemente distribuída. Sei-me nada, ou pelo menos, nada reconhecível no conhecimento da cultura que me cingiu a criação; sinto as forças preenchendo o espaço amplo que fantasmagoricamente me agrega e da mais profunda das fontes da alma, não evito o querer devorador que me contrai o destino.
A lua cheia espreita-me a cama, os sonos repetidos e sonhos inconsequentes de quem nunca preferiu abraçar a realidade. Conto-lhe assim os meses, agradecendo cada momento, desprezando a inércia que persiste procurando o inevitável repouso na mais longa prova de resistência concebida pela mente animal.
Gostava de falar comigo próprio, reconhecendo-me por inteiro na saúde da nespereira que me adoça o Verão, mas agora, espero ainda por algo que não existe e que na sua complementar ilusão me afasta da grandiosidade do que sou.


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