Na génese da imaginação
Habita um regimento de regras
Paradoxais aparentes
Construtivas inerentes
É a razão que tudo forja
E nela nada se sente
Tacteio sem fim a beleza
Do céu, dos mares e planetas
Sinto enquanto sem pressa
Procuro na ordem um cais
Mediador de ismos banais
Que sirva por fim a descrença
Encontro em tudo resposta
Infinitamente correcta
Trago-a em repetidas apostas
Juramentos que a razão não quebra
Mas que no final das contas
Me leva à deriva nas ondas que a imaginação ostenta
Paradoxal sensação
Que não invoco nem tento
Reprimes com acidez a canção
Cáustica melodia da razão
Perturbas-me, adestras-me
Em ti tropeço e me sento
O que me prende e me move?
O que me agita e serena?
O que me chega e me foge?
Que me conforta e despega?
Sou produto da matriz
Dualidade que o caos juntou
Mas invertido o processo
Os mortos não estão à escuta
Perseguindo o retrocesso
Transforma-se existência em luta
Infinita campanha sem alvo
Faz circular energia
Num labirinto perpétuo
E que no final do dia
Apenas revela o destino
Chegado o instante final


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