Competimos
sem propósito deixando o medo vencer. Muitas vezes a empatia dá
lugar ao afastamento, e comprimidos contra nossos instintos,
tornamo-nos naquilo que pior sabemos. Não existe verdadeira alegria
sem entendimento, mas não é isso que nossa cultura despesista nos
vende como salvação. Estamos mais indiferentes que nunca e as
nossas mentes choram e gritam em desespero, procurando demasiadas
vezes sem sucesso um semelhante a quem importa o sentir alheio.
Eu tenho quem me faça entender; particularmente um amigo, que me ensinou a amar sem dar lugar à indiferença que me mascarava o ser. E ainda que distante, a milhares de quilómetros daqui, pouco importante se torna, pois a linguagem que usamos permite-nos ler e escrever o que nos vai nos entalhes da mente.
Quão surreal é sentir esta montanha de empatia... Que sensação encantada esta de oferecer meus mais profundos pensamentos, as mais elaboradas sensações, lançando-as, enlevado em êxtase para a mais poética das prosas e obter como resposta um eterno testamento de verdadeira compreensão.
É este o preço da competição nas relações humanas; é esta perda de uma das dimensões mais belas da existência.
Muito se vem falando de «almas gémeas», mas só agora começo a desconstruir a ideia e vê-la como o que ela é. É a aproximação de uma tão verdadeira partilha que se desenvolve entre dois seres, à medida que uma simbiose das suas mentes vai quebrando todas as barreiras do ego, até ao dia em que totalmente se reconhecem e sem que a mente mais distinga as qualidades do seu individualismo, reconstroem-se considerando-se uma só.


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