O mundo desabou, mas cedo se ergueu num esplendor de sonhos suportado apenas por ténues fios de esperança e vaidade.Foram tempos fáceis, em que o passar das luas se contava através das terras calcadas, das noites bebidas e das histórias por contar. Foi o abrir de um baú de experiência, de querer e poder, era o tudo e o nada.
Contudo, com o passar dos anos a vida dos sonhos voltou a ser apenas o mundo destruído que à muito havia deixado para trás.
Desolado, contemplou o que restava à sua volta.
Via-se agora rodeado de despojos duma guerra à qual virou as costas, e que sem ele crescera até aos limites do seu ser. Assim, a cada passo dado, a cada esquina dobrada, a pouco e pouco o medo alcançou-o.
Continuou perdido, vagando assustado com pensamentos de ausência e pecado. Viajou sozinho, acompanhado, por vezes até com um amigo a seu lado, mas no seu íntimo não importava, pois nada mais fazia sentido.
As fachadas das casas caídas já não brilhavam como antes, o ladrar brincalhão do cão da vizinha deu lugar ao uivar de lobos famintos, os canteiros de flores pareciam agora pequenas valas comuns dada a quantidade de corpos ali prostrados.
O medo foi ficando, mas a vida continuou sem lhe dar descanso.
Assim, começou aos poucos a reconstruir o que perdera.
A cada novo passo descobria um mundo de oportunidades, e a cada olhar um mar de apoio e razão. Com pequenos gestos mudou aquilo que via e no seu íntimo aprendeu a aceitar a nova casa.
No entanto, a razão abandonava-o por instantes, deixando-o entregue aos desejos do coração.
Era nesses momentos que o passado voltava e o impedia de ser feliz.

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