domingo, setembro 05, 2010

Cantos I

Tinha frio… Mas ainda assim, os hábitos serviam a vontade de me sentar naquele canto vulgar. As gentes passavam dispersas, vindas de um conjunto de lugares que nas suas mentes se agrupavam num só e as fazia correr por uma última inspiração. As ervas e flores acompanhavam-me discretas, dormindo sob o manto delicado de uma lua cheia, que parecia não parar ao som da distante batida que me enchia os sentidos. Eu, continuava sentado naquele canto vulgar; Apagado, escondido, tentando não causar impressões menos tranquilas a quem ali passava. Eu, esperava; Pensando naquilo que os dias me proporcionavam, naquilo que me dava ao luxo de suportar, e finalmente, relaxava, entregando ao corpo o último prazer do dia, o anestesiar da consciência. O canto continuava vulgar e as pessoas tremiam com o mesmo frio de anteriormente. As festas continuavam com a mesma pulsação, enquanto as ervas e as flores continuavam adormecidas sob o manto de uma lua cheia que dançava agora comigo. Deixei aquele canto vulgar agradecendo-lhe a protecção que me oferecera, e embalando a minha consciência, segui a estrada, farejando a cada passo o rasto de uma festa que já ia longa. Ansiava agora por me juntar a um grupo, que apesar de espalhado por diferentes locais, decidiu inspirar à mesma hora de uma fantasia que não sendo alucinatória, transformava a sua realidade em amontoados de vontades que a todos diziam respeito.

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