Encontrámo-nos por acasoLogo me pareceu que de algures te conhecia, mas nada na minha mente fazia referência a quem poderias ser.
Seria possível não te recordar?
Tinhas cara de menina, mas teu olhar transmitia uma sensualidade arrepiante. Teu belo sorriso agarrava-me ao balcão, tua pele libidinosa tocava-me em pensamentos e fascinado com tamanha mistura de sentidos resolvi avançar.
Segui até ti num passo discreto e com a timidez introvertida de quem se sente subjugado soltei um leve: Conhecemo-nos?
Instantaneamente olhaste para mim com teu doce sorriso e respondeste que sim.
Não me senti admirado com a resposta, mas estava agora mais curioso que nunca.
Como podia não ter reparado em ti antes? - pensei.
Contaste-me então a tua historia. Falaste-me do rio e das ruas encobertas, dos estragos e das noites bem bebidas, e rapidamente percebi o que me levou a esquecer-te. Foi só mais uma das minhas falhas no tempo, mais uma das semanas em que vivi debaixo de agua apenas subindo à superfície para respirar.
Agora que penso nisso, talvez a rotura no meu âmago tenha sido maior do que alguma vez imaginei.
Enfim, a vida tem destas coisas, ás vezes precisamos esquecer para mais tarde dar valor ao que podíamos ter ganho

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