quarta-feira, maio 05, 2010

Reflexões 1.2

Sempre me chamaram de egocêntrico por convictamente afirmar que sou o centro do universo

Não vou negar que alguns dos traços que tão bem me caracterizam não possam ser confundidos com um avantajado amor próprio , mas, olhando bem à minha volta, penso que nunca ultrapassei a barreira do que deve ser considerado um ego saudável.

Talvez estas acusações injuriosas se devam essencialmente à crescente dificuldade que a maioria das pessoas apresenta em gostar de si tal como é, pois nos dias que correm, o amor próprio é aparentemente visto como um privilegio e não como uma característica essencial à felicidade de cada um.

Tornou-se um género de convenção que hoje em dia só pode gostar de si próprio quem preenche uma serie de pré requisitos ditados por indústrias das mais diversas áreas, e que todos os outros (os inadequados) têm que arranjar uma forma de se juntar ao grupo, correndo o risco de serem vistos como pessoas à margem da sociedade.

Todos os tipos de meios de comunicação que nos rodeiam propagam mil e uma regras para definir a beleza, a postura, o que podemos ou não vestir, os tipos de amigos que devemos ter, o que devemos ou não comer e até aquilo que nos deve trazer boa sorte.

Todos temos de ter noção de nós próprios, dos nossos defeitos e virtudes, dos nossos princípios e sonhos. Todos devemos alimentar o nosso ego de uma forma benéfica.
Como diz um dos 250.000 anúncios que passam todos os dias na televisão, “Se eu não gostar de mim, quem gostará?”

Eu vou continuar a proteger com teimosia os meus princípios e vontades (obrigado pai pelos genes da intransigência). Todos nós somos únicos à nossa maneira, portanto parece-me correcto defender os meus genes com unhas e dentes, pois, bem vistas as coisas, é tudo o que posso esperar um dia deixar para a posteridade.

Mas, voltando ao centro do universo, e para aqueles que ainda não estão convencidos, podemos analisar a questão do meu pseudo-egocêntrismo de um ponto de vista mais técnico.

Visto que toda a informação captada pelos nossos sentidos (aquilo a que chamamos de realidade) tem uma velocidade finita, facilmente concluímos que aquilo que conhecemos como presente é na realidade algo que já se passou. Por exemplo, o que vemos a cada momento, não passa de algo que se passou à alguns instantes atrás, pois por muito rápida que a luz seja, ela demorou algum tempo a viajar até aos nossos olhos.
Assim sendo, podemos afirmar que a nossa consciência individual é o "local" mais actual do Universo pois tudo o que observamos faz parte do passado.
Sendo cada um de nós a entidade mais actual do universo, parece-me aceitável e livre de egocentrismos afirmar que sou o centro do universo.

Vistas bem as coisas, cada um de nós é o centro do seu próprio universo

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