Rasguei meia foto Estava extremamente magoado com o que comigo fizeras. Meu sangue fervilhava iam já 7 dias e pelo caminhar da situação, o mais provável era começar a consumir-me violentamente para suavizar o desespero.
Não percebia porque tanto me magoavas com a tua ausência, nem o porquê de tamanha falta de apreço, afinal, nunca te tinha pedido mais que os habituais sorrisos.
Confundias-me as semanas, assumindo na perfeição o teu papel de mulher fatal. Brincavas com os meus sustentos, esperando saciar essa sufocante rotina indigesta que a vida te levou a aceitar.
Contudo, o meu íntimo chamava distante por ti, tratava-te como o presente de um passado longínquo e sem falsas expectativas mantinha-te comigo.
Foi assim até aquele dia
Naquela noite atingi o ponto de ruptura e pela primeira vez em tantos anos estava farto das inconveniências da tua atitude, da insensatez do teu carácter e dos teus orgulhosos caprichos.
Admito que continuava a sentir por ti um enorme carinho, mas de alguma forma, pela primeira vez na minha vida vi-te despida de paixão.
Assim, fui somente eu, sem mal nem preconceito, sem pudor ou medo de falhar. Fui sincero contigo, disse-te o que sentia e que à tanto tempo me atormentava os sentidos.
Prontamente soltaste sobre mim uma má sofrida onda de rancor. A tua acidez de espírito apanhou-me desprevenido e com um desiludido suspiro lembrei-me porque razão não conseguíamos durar.
Foi aí que a redoma de vidro onde te guardava tombou e espalhou pela sala toda a fantasia.
Senti-me ridículo
Senti-me ridículo por durante tanto tempo te ter suportado. Senti-me traído por todas as vezes que sem quereres saber te protegi. Senti-me inútil, ao ver aquela que amara ser absolutamente hipnotizada por hipocrisias tantas vezes criticadas.
Depois de tudo o que tinha passado, de ter enganado os sentimentos e de ter engolido orgulhos ao saber-te humilhada, não esperava tamanho despropósito.
O meu interior queimava-me de revolta. Nunca tinha sentido tal desapego pela tua pessoa e a minha inerente frieza tentava escapar ao deparar-se com tão insustentado tormento.
Inconscientemente, tudo se desvaneceu num pensamento.
Apaguei-te da minha vida.
Apaguei memórias, retratos, sons e sentimentos.
Destruí opiniões sustentadas apenas pelo coração e deitei fora os sorrisos que todas a noites me acompanhavam.
Foi poético. O momento da libertação inconsciente de todo um universo de sentimentos que à tanto me impediam de avançar. Foi triste.
Mais não deu

A acidez não seria só dela, pois não?
ResponderEliminarA acidez sempre foi partilhada. A diferença é que sem o mel da cobertura, o equilíbrio perdeu-se e tornou-se amargo
ResponderEliminarÁs vezes suportamos muito mais do que imaginámos. Gostei muito !bjs
ResponderEliminarFizeste agora o luto que tens estado a adiar à demasiado tempo... Mas não caias na tentação de te esconderes nesse odio e desilusão que agora sentes e de te esqueceres de todas as coisas positivas que ja viveste e que te ajudaram, bem ou mal, a crescer e a ser quem és.
ResponderEliminarHás de encontrar o equilibrio e de amadureçer não só em palavras mas principalmente em actos e sentimentos. Não te corroas por dentro com coisas do passado, vive a vida, pensa no futuro e não culpes o mundo por te tirar aquilo pelo qual não lutaste no momento certo...
Penso que as vivências que tão bem descreves se referem a uma desilusão amorosa.
ResponderEliminarAqui tratava de algo pelo qual sofri bastante mais. Tratava da amizade que durante tempos alimentei sobre uma imagem desaparecida.
Talvez os sentimentos se misturem para muitos, mas na minha pele, a perda de uma grande amizade é como perder um pedaço de mim.
Acredita que lutei por mantê-la.
Como disse um dia Pessoa, "Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!"
Podes sentir-te de todas as formas menos ridiculo!
ResponderEliminarbjs
Através de suas palavras eu revivi um momento amargo da minha vida. A cada parágrafo era como se eu tivesse revendo algumas cenas.
ResponderEliminarExistem momentos em que é bom saber que não estamos sozinhos no mundo.
ResponderEliminarObrigado pelo comentário