Tenho lembranças. Dissipam-se no tempoO mundo era enorme. Visto dos grandes globos que atentamente seguiam o quotidiano, tudo parecia não ter fim. As correntes de ar arrastavam objectos e sem me aperceber ao que assistia admirava facilmente.
Atentava as flores, os pássaros e as pessoas que passavam. Descobria no mar um infinito desconhecido e sem preguiça ou preconceito deixava-me levar.
Via algo novo a cada dia e com a convicção de presenciar algo memorável, debatia na minha mente conjecturas inconcebíveis. Era feliz a tempo inteiro.
As brincadeiras aniquilavam preocupações, os sorrisos escondiam fantasmas e o amor fazia crescer vidas. Trepava agarrado a figuras utópicas e tentando recriar a sua raça, criava-me lentamente. Era quem era.
Sem esquemas ou raivas escondidas reagia com instinto e sem medo de julgamentos era um livre aprendiz. Temia a pesada mão do desgosto.
Tinha amigos, desfazia amizades. Era verdadeiro, pensava-me fraco. Tentava encontrar-me, ainda que não o soubesse. Era mole.
Carregava um espírito de camaradagem que nada fazia ceder. Levava avante as vontades do grupo e nenhuma moral era demasiado alta para me impedir. Era tão mais forte do que pensava.
Era curioso. Demasiado curioso para saber dizer não. Demasiado espremido num invólucro pequeno, fazia tudo para me soltar. Encontrava-me aos poucos. Desencontrava-me constantemente.
Queria ser grande. A ânsia de querer ser mais que eu era apenas suprimida pelas constantes descargas de adrenalina suada. Tudo podia ser quebrado. Tudo podia ceder. Desafiava as leis da física sem saber com quem tratava e aprendia com mau trato que sua força é demais.
Voava com os pés na terra. Corria até cair no chão, saltava murros impossíveis e ao lado da morte passeava a brincar.
No fim dos dias, caía descalço numa cama aquecida pelos lençóis ajeitados com um beijo e sonhava até acordar.
Guardo tudo, presente no meu ser

Descobri recentemente este blog e, compulsivamente, consumi todos os textos. Nao existe um único com que não me identifique.
ResponderEliminarTudo o que tenho a dizer é, NÃO PARE DE ESCREVER. Um abraço de alguém que provavelmente o conhece :)
Com comentários assim não irei parar certamente. Obrigado ;)
ResponderEliminarnossa vi seu link no dihitt, passei pra conferir e não me arrependi, muito bom seus textos!
ResponderEliminarganhou uma seguidora no blog bjs!