terça-feira, abril 05, 2011

Anjo III

No topo de um palácio improvisado, cultivávamos agora o fascínio pelas silhuetas que o semblante negro da noite carregava
A imensidão de luzes, ofuscadas pontualmente pela névoa que o mar respira, traziam à memória dias que não me lembro, mas sinto
A orgia de sentimentos continuava no auge, mas juntava-se agora à mistura uma onda de nervosismo impetuoso que me trazia a voar baixinho
Os sabores trocavam-se, e aos poucos, as palavras ganhavam lugar aos gestos; Os gestos eram agora espasmos imprimidos por um instinto que recusava recuar
Eram agora os sons que confortavam, os significados que ditavam as regras

Como sempre, Facilmente me seguraste
Mais uma vez, Levaste-me a procurar

No fim, e ainda que o mau-estar alheio não te perdoasse, ficamos no limbo de uma compreensão desconhecida, e sem mais, eclipsamos-nos num ciclo de fantasias por realizar

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