quinta-feira, abril 07, 2011

Canções

Não sinto nada
Atormento tudo
Perco-me entre sons transactos
Revejo bandas sonoras perdidas no fundo de um coração

Voz equivocada, ausente, quase extinta
Talvez soes agora numa nova sinfonia
Num novo arranjo de momentos e saudades
Quiçá movas agora a vida com outras canções
Ou porventura, as melodias se tenham perdido com o perder da inocência

Ardes-me de histórias
Revives-me de emoções
Arrepias-me a memória de uma vida cansada, gasta, quieta
Trazes-me Inverno à inflamada Primavera

Tremo sem frio
Não tento resistir
Os revivalismos vãos perseguem-me como se a minha vida os fizesse respirar
Assombram-me o espírito como se o meu peito fosse o seu último reduto
Não tento esconder

Gosto de te rever
De te sentir dentro de mim
De suar o abanar dos músculos causado pela mera fantasia do passado
E acima das nuvens de intrigas
Saborear os restos de uma convicção que me viu nascer

A tua voz nunca será perdida enquanto eu caminhar nas planícies da imaginação
O teu timbre vai perdurar até a mente me doer
O teu mel… Ah, inocente mel que me alimentava as raízes
Mel que me prendia a um solo demasiado estéril, a um vazio de variedade que só me permitia crescer num sentido
Mel que transformava necessidades, que corrompia motivações…

Era esse mel que a tua voz cantava
Era essa voz que me aninhava os sentidos

Perco-me na saudade da tua voz esculpida por brisas
Escrevo entre os gritos de uma memória que já só recorda pequenos refrães
Gosto de te rever…

É impensável este carregar de amores que não existem
Este apaixonar por sensações que aprendi a recriar
É idiota perder o dia de hoje admirando momentos ultrapassados
A cansar o pensamento com sentimentos aos quais eu pergunto e respondo

É idiota; Mas não temo!

Quem nunca amou um momento?
Quem nunca escreveu na alma um coração e uma data, como se numa qualquer árvore talhasse o seu amor a outrem?

Somos todos idiotas do coração
Apaixonados inconsequentes que fitados por um destino que apenas entrega charadas
Nos deixamos atraiçoar pela nossa própria vaidade

O amor é amor
Não duvido disso
Mas é também ele vanglória, exploração e preguiça
É ódio, traição e abandono

O amor é como substância
Podemos escolher pegar-lhe, transforma-lo e viciarmo-nos nele
Podemos usa-lo como quisermos
Para curar males, para ver mais alem ou só para fazer passar o tempo

O amor é amor
Não duvido disso
Mas as inibições e revelações que me traz ao organismo
Levam-me a querer sempre guardar algo
Um beijo, um olhar ou uma canção
Pois, não vá o mal aparecer de novo e sem memoria reactiva que me faça travar a cavalgada alucinante a que ele me sujeita
Caia eu outra vez nas redes de uma heresia
Que sem me fazer sentir mal, também não me faz sentir bem

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