segunda-feira, maio 23, 2011

Frames I

O dia acabava; Pelo menos a parte do dia em que as obrigações me encobrem as vontades e em que o sol chama por mim à janela do escritório. Saio, respiro o ar amargo de Lisboa e ainda assim, vem-me à lembrança uma liberdade que os compromissos há muito cativaram. Entro no carro e rapidamente me entrego ao inferno das ruas em hora de ponta. Os carros atropelam-se, as pessoas fogem apressadas e sem mais para onde fugir, refugio-me nas imagens de uma cidade que tanto me entrega como me consome. Parado no vermelho olho o espelho... Não sou o único escravo, penso. Afinal este inferno não passa da soma dos infernos pessoais de cada um nesta cidade.

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