
O metro arranca
sentada ao meu lado
saca um caderno
dedos negros carregam palavras
hippie style
mendigo beat
não pestaneja
não ouve em volta
a escrita começa
Outro vê para dentro
não esboça vida
carrega marcas pesadas
estão afastados
talvez se conheçam
o metro para
o outro abre a mala
os olhos fechados
o mover lento
o arrastar palpitante
saca um caderno
Ela volta
a escrita parou
o outro começa
o metro arranca
os olhos fechados
as palavras escrevem-se
lentas e cegas
talvez loucas
Será que se sabem?
Ela segue
ajeita as marcas
parece heroína
existe brio
segreda-lhe ao ouvido
toca-lhe no ombro
conhecem-se
compreendem-se
parecem o mesmo
são dois
o caderno abre-se
as palavras não são cegas
mas são-me mudas
O metro para
eu arranco
eles ficam

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