Doce e fiel criação... Tudo começou bem, dentro dos padrões de miséria vivida naquele execrável jardim de degradação. A inocente meretriz dobrava os instintos e com a vontade amarrada a uma mesa moribunda, via injectado em si a continuidade de um mal que já não passava de desconfortável. Ao terminar o sacrilégio, a vida deu de si e sem se aperceber do berço que a criava, multiplicou-se freneticamente, tentando assim alcançar a tão desejada liberdade.
Não demorou, até a miséria que girava em volta da concepção conceber mais do que era suposto, mais do que era permitido, e assim, as raízes da depravação soltaram-se no útero de um destino que ia nascendo já sem vida.
Eventualmente, dado a vigorosa forca que emanava de tão singela existência, de tão propositado golem, as barreiras foram superadas, e o ciclo completou o primeiro grande desafio.
Agora, uma consciência ainda prematura espreitava pela primeira vez todo um novo mundo de sensações; Tudo agora esperava, tudo fazia parte de um novo estar, de uma nova oportunidade para a liberdade promover as suas conquistas, e assim, continuar a propagação de uma obra que celebrava a harmonia do universo.
Porem, essa serena consciência tinha sido marcada, esculpida até então por inúmeras e severas estocadas de uma mão que há muito tinha escapado ao equilíbrio. Essas marcas, eram invisíveis, eram apenas pequenos pontos que ligavam uma estrutura, e que sem inibir o funcionamento da mesma, deixavam a convicção de tudo continuar a linha que o tempo moldou.
Esperava-o a liberdade (pensava), a oportunidade de se elevar ate um ponto onde só a nós nos é permitido chegar, mas invés disso, a crueza duma verdade coberta de lama tinha já executado todas as possibilidades.

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