
Finalmente entendi;
Eu cresci com minhas mães
Depois de tanto me permitir errar, surgiu-me uma nova sensação
Não são lágrimas ainda...
E como a força e flexibilidade que são características de a quem pertence tal majestoso amparo, também as colunas que a suportam atingem quem lá passa com uma serenidade original e construtiva.
Uma voz morta acompanhava um frenesim de euforia afogado em asfalto; Atropelavam-se informáticas, derivavam-se interesses desmotivados.
Escrevo porque não sei falar.. Escondo-me nas palavras que liberto às escondidas encobrindo um envolvimento tenaz, astuto, por vezes sábio; Aqui se encontra a barreira entre o espontâneo e o espontaneamente relido, entre o que é uma profunda ligação à arte e o que é somente a arte reaprendida. 
Chama... Chaga... Chacina... Talvez apenas vacina, intrépida, voraz, mortal... Um fluir de segregação artesanal que me torna, me foge, me íntegra; Inspira-se como ar expira-se como fumo e o transformar esquece dentro o uso da salvação... São como marcas de paixão, do amor devastado, perdido, retaliado... Graves, bêbedas, confusas; Dêem-lhes tempo para trabalhar... Precisam não só de ar mas também de alimento, de chumbo emotivo, tormento, de aprisionamento popular... O mar nunca será o mesmo, lento, altivo, brutal... Talvez quase que o seja mas num diferente momento as correntes que acorrento mudaram de barco opulento para semelhante vegetal... Ainda assim cruzar-se-ão, trocarão conhecimento, pois tanto lamento nas veias poderia nunca ser carregado como tal... Semblante opressivo pintado de falsa alegria deste lugar à ilusão que aconteceria um dia pois ainda que magia só apenas não valia desistir de nunca a ver.
Começamos num dia qualquer Sem memória ou efusão Só nós mesmos Tentando ganhar o nosso espaço num circo de inspirações Os limites eram curtos As vontades eram só projectos A liberdade era liberdade e sem nos fazermos acamados Só não testávamos o que o tempo não deixava Nunca te quis aprender Eras só mais um Meio raquítico Passavas-me por baixo Dava-me ao conflito Gostava Da injustiça da luta Das barreiras a dobrar É um prazer buscar aberturas Os saquinhos de surpresas Doces e amargas cores Perspectivas de futuros Rumos e direcções que nos unem ou separam Gostava de me testar Porque não retesar as espirais Transpor as fronteiras impostas por gente que nada me entrega Sempre fui consciente o suficiente para escrever minhas regras Para planejar meus erros Para captar reacções Talvez Claro que fui idiota Mas antes isso que cretino Pensava Terá também sido esse o inicio da compreensão Felizmente não tenho grandes duvidas Haverá melhor maneira de te testar que levar-te ao limite Não haverá certamente Ao conhecer o pior serenamente concentro-me no bom Sem truques ou admirações Sem mal-entendidos ou surpresas Depois do pior Só pode melhorar Habitualmente sinto-me claro Enquanto ser que exibe as suas vontades e preocupações Os medos e caprichos Os pensamentos e as falhas de racionalidade Mas por algum motivo Existem ainda pequenos seres no universo Que tendo toda a facilidade para aprender a ler o ceu Saltaram o capítulo das estrelas Não que nutra por qualquer espécie de ser vivo Sentimentos que deterioram a minha condição Mas Existem leis que a natureza escreveu Fossos de ouro negro Marcas de luta guardadas no livro da nossa origem Diamantes quebrados Ataques lançados nos passos em falso Arvores milenares Rituais de acasalamento bizarros Seres iluminados Hierarquias ditatoriais Mundos feitos de circuitos entrelaçados por instintos irmãos As verdades não serão absolutas Mas as regras do jogo são Por muito que o homem avance Nunca perderemos os reflexos da traição
O carácter intemporal do jardim e dos costumes que carregava faziam-me sentir parte de algo espontâneo. Aquela pequena representação da natureza há muito perdida nas grandes metrópoles tinha sobrevivido a todas as transformações duma sociedade que repetidas vezes se esquecera dos antigos hábitos. Ainda que o seu quotidiano fosse agora rodeado de indiferença, a sapiência de velhas gerações restava ainda nos seus encostos. A minha visita iria acabar depressa, mas os breves momentos de serenidade que me entregara ficariam para sempre marcados na película da minha vida.
O dia brilhava alimentado por um sol radiante e expressivo que me acamava naquele pedaço de terra. Era só mais um porto, mais gentes, mais um dia, mas como em outras ocasiões a preguiça que me ajudava a saborear o momento fazia-me também entender que em todas as ligações existe um vazio, um poço de nada que apenas transporta a energia que nos suporta. Entre Lisboa e Almada, duas células da humanidade que construímos como pudemos, continua a correr o Tejo. O tempo passa, as paisagens mudam, mas certos vazios estarão sempre presentes para nos lembrar que ainda que deles nos sirvamos, nada podemos fazer para os tornar nossos.
O dia acabava; Pelo menos a parte do dia em que as obrigações me encobrem as vontades e em que o sol chama por mim à janela do escritório. Saio, respiro o ar amargo de Lisboa e ainda assim, vem-me à lembrança uma liberdade que os compromissos há muito cativaram. Entro no carro e rapidamente me entrego ao inferno das ruas em hora de ponta. Os carros atropelam-se, as pessoas fogem apressadas e sem mais para onde fugir, refugio-me nas imagens de uma cidade que tanto me entrega como me consome. Parado no vermelho olho o espelho... Não sou o único escravo, penso. Afinal este inferno não passa da soma dos infernos pessoais de cada um nesta cidade.
Era uma vez um jovem nascido em Portugal. Vivia numa semana em que os mistérios da compreensão entre as mãos que o criaram deixavam de ser obscuros e percebendo que a razão é um cantinho muito especial na mente de cada, o conjunto das experiências que antes de existir o moldaram faziam agora todo o sentido. Afinal, era só mais uma semana de desafios, de dúvidas, mudanças, aprendizagens e de olhos bem abertos a novas realidades. Tinha agora vinte cinco. A família ostentava-o (como sempre), e entre esse manto primitivo e confortável fazia por mostrar finalmente parte daquilo que o fazia segurar tal conjunto de crenças. Talvez nada tivesse sido em vão... Tudo era parte de um bloco, qual super estrutura finamente conectada por pequenos pontos em cruz; Era um quadro começado no inicio do tempo mas do qual só podia interpretar as mais recentes representações. “Talvez as escolhas não existam de todo...” Assim invalidava as desconfianças e identificadas as pontes por onde podiam trocar as espalhadas camadas desse puzzle multidimensional, tomavam-se agora partidos numa luta, que tendo deixado de ser luta mostrava apenas uma forma de agir perante novas aquisições.
Doce e fiel criação... Tudo começou bem, dentro dos padrões de miséria vivida naquele execrável jardim de degradação. A inocente meretriz dobrava os instintos e com a vontade amarrada a uma mesa moribunda, via injectado em si a continuidade de um mal que já não passava de desconfortável.
É todo um novo mundo de processos que me faz avançar 24/7 
Existem semanas em que tenho a certeza que alguém anda a brincar com as minhas convicções...
O tempo, nada entrega nem nada transforma
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