sexta-feira, novembro 11, 2011

Conclusões










Finalmente entendi;
Eu cresci com minhas mães

quarta-feira, novembro 02, 2011

Pedaços V

Depois de tanto me permitir errar, surgiu-me uma nova sensação

Pela primeira vez não é dever, nem tão pouco poder... Sinto-o saber; Um saber quase tão profundo como aquele me permite suportar a vida que carrego. Não é apenas o saber tímido de quando testava os conhecimentos adquiridos à luz das sensações, mas algo verdadeiramente enraizado no meu ser.
É uma realidade que me entrega impossibilidades desejadas à tanto... Impossibilidades erradicadas pela primeira vez, aberturas para um espaço inexplorado na biblioteca da minha experiência.

Sinto-me carregado por forças que eu próprio pus em movimento mas que percorreram um longo caminho até me atingirem em pleno pensar.
Já não me importa a direcção dos meus dias; A partir daqui o conhecimento tomará conta das decisões e uma consciência aumentada tratará de apaziguar o espírito animal.

Se foi a capacidade de recusar instintos que fez de nós capazes de nos revermos no universo porque continuamos a querer comportar-nos como animais?

domingo, outubro 16, 2011

Inícios

Não são lágrimas ainda...

São apenas sorrisos manchados de emoção, rubros olhares, afortunado sentir de agradecimento pelos mágicos momentos vividos.
Lembro-vos, sento-vos, amo-vos... Não serão nunca recordações; Serão pedaços de verdadeiro amor, de vida criada, de total entrega, estima invencível e de uma total liberdade de preconceito. Serão sempre a minha primeira casa neste novo mundo acordado.

Serão parte de uma família que carregarei enquanto me transportar. Serão sempre sangue do meu sangue, pares esculpidos em simultâneo pelas mãos da humanidade que nos restou.

Casa

E como a força e flexibilidade que são características de a quem pertence tal majestoso amparo, também as colunas que a suportam atingem quem lá passa com uma serenidade original e construtiva.

Foi-me o verdadeiro abrigo; E não por a sua proeminente posição me suportar os volúveis desejos de viajante mas, porque a família que me apresentava fazia daquele período da minha vida uma harmoniosa compilação de momentos irrepetíveis.

Parto do que foi uma casa: Do que é uma casa; do que será...

terça-feira, outubro 11, 2011

Canais

Uma voz morta acompanhava um frenesim de euforia afogado em asfalto; Atropelavam-se informáticas, derivavam-se interesses desmotivados.

O cheiro de milhões de pinheiros condenados a um caos prematuro entrava pela pequena janela e partilhando-me com um ar demasiado condicionado, lembrava-me que mesmo condenada a natureza continuava a ser a mãe de todos nós.

Partilhavam-se assim os valores que guiavam agora nossas vidas e ainda que ambos entendesse-mos que estes não podem ser metidos em balanças, descrevíamos sem medo momentos assinados com o nosso sangue.

Espelhos

Escrevo porque não sei falar.. Escondo-me nas palavras que liberto às escondidas encobrindo um envolvimento tenaz, astuto, por vezes sábio; Aqui se encontra a barreira entre o espontâneo e o espontaneamente relido, entre o que é uma profunda ligação à arte e o que é somente a arte reaprendida.

É preciso mais para criar com o espírito, para carregar símbolos nas expressões e sem qualquer tipo de consciência exportar para o mundo exactas descrições de outra qualquer realidade; As verdadeiras realidades são sempre presente, profundamente interligadas com cada acontecimento do universo e só na nossa capacidade de nos reconhecer-mos como parte deste algo maior encontramos a resposta para todas as perguntas inatas.

quarta-feira, julho 06, 2011

Sentimentos









O tempo sempre passa, sereno, sentido, certo...
O tempo passa, a vida ganha movimento e as marcas dessa existência são escrita permanente no meu coração.

sexta-feira, junho 17, 2011

Ardor

Chama... Chaga... Chacina... Talvez apenas vacina, intrépida, voraz, mortal... Um fluir de segregação artesanal que me torna, me foge, me íntegra; Inspira-se como ar expira-se como fumo e o transformar esquece dentro o uso da salvação... São como marcas de paixão, do amor devastado, perdido, retaliado... Graves, bêbedas, confusas; Dêem-lhes tempo para trabalhar... Precisam não só de ar mas também de alimento, de chumbo emotivo, tormento, de aprisionamento popular... O mar nunca será o mesmo, lento, altivo, brutal... Talvez quase que o seja mas num diferente momento as correntes que acorrento mudaram de barco opulento para semelhante vegetal... Ainda assim cruzar-se-ão, trocarão conhecimento, pois tanto lamento nas veias poderia nunca ser carregado como tal... Semblante opressivo pintado de falsa alegria deste lugar à ilusão que aconteceria um dia pois ainda que magia só apenas não valia desistir de nunca a ver.

Chamas... Chagas... Chacinas... Aparecem-me meninas, pintadas, vestidas, bordadas; Uma honesta conjectura que brilhante certamente faz-me ter eternamente esta mágoa de sal... Dilui-se, evapora e suscita, mas depois de a cama feita só aprendo que não deito nela a fêmea fatal... Graves, bêbedas, confusas; Caíram por terra um dia... Talvez tenham já caído, talvez nunca tenha existido para além do meu quintal... Surgiriam assim perguntas, tenras, ilusórias, juntas, mas que num’ alma de tango não precisam de ser soltas se a dança invoca o real... Culpemos então o rácio, lógico, sereno e crustáceo, altamente protegido, rasteiro, camuflado, escondido, mas que no final de contas apenas passa por mal.

Será o desejo a chama, que não queima mas inflama, incha, expande, acama e que mesmo sem sentir continua a existir como vicio ancestral?! São lamentos inequívocos, sonhos tomados em sonhos, ideias que invocam paixão...

Chama... Chaga... Chacina... Serás sempre um véu difuso que depois de tanto uso me deixa despido de tal; E no meio desta confusão, cresce a alma, cresce o tempo e tudo o vento transforma como se nada existisse afinal.

sexta-feira, junho 03, 2011

Pensamentos IV












Ainda que sós, todas as estrelas brilham.

segunda-feira, maio 30, 2011

Estima II

Começamos num dia qualquer Sem memória ou efusão Só nós mesmos Tentando ganhar o nosso espaço num circo de inspirações Os limites eram curtos As vontades eram só projectos A liberdade era liberdade e sem nos fazermos acamados Só não testávamos o que o tempo não deixava Nunca te quis aprender Eras só mais um Meio raquítico Passavas-me por baixo Dava-me ao conflito Gostava Da injustiça da luta Das barreiras a dobrar É um prazer buscar aberturas Os saquinhos de surpresas Doces e amargas cores Perspectivas de futuros Rumos e direcções que nos unem ou separam Gostava de me testar Porque não retesar as espirais Transpor as fronteiras impostas por gente que nada me entrega Sempre fui consciente o suficiente para escrever minhas regras Para planejar meus erros Para captar reacções Talvez Claro que fui idiota Mas antes isso que cretino Pensava Terá também sido esse o inicio da compreensão Felizmente não tenho grandes duvidas Haverá melhor maneira de te testar que levar-te ao limite Não haverá certamente Ao conhecer o pior serenamente concentro-me no bom Sem truques ou admirações Sem mal-entendidos ou surpresas Depois do pior Só pode melhorar Habitualmente sinto-me claro Enquanto ser que exibe as suas vontades e preocupações Os medos e caprichos Os pensamentos e as falhas de racionalidade Mas por algum motivo Existem ainda pequenos seres no universo Que tendo toda a facilidade para aprender a ler o ceu Saltaram o capítulo das estrelas Não que nutra por qualquer espécie de ser vivo Sentimentos que deterioram a minha condição Mas Existem leis que a natureza escreveu Fossos de ouro negro Marcas de luta guardadas no livro da nossa origem Diamantes quebrados Ataques lançados nos passos em falso Arvores milenares Rituais de acasalamento bizarros Seres iluminados Hierarquias ditatoriais Mundos feitos de circuitos entrelaçados por instintos irmãos As verdades não serão absolutas Mas as regras do jogo são Por muito que o homem avance Nunca perderemos os reflexos da traição

quarta-feira, maio 25, 2011

Frames III

O carácter intemporal do jardim e dos costumes que carregava faziam-me sentir parte de algo espontâneo. Aquela pequena representação da natureza há muito perdida nas grandes metrópoles tinha sobrevivido a todas as transformações duma sociedade que repetidas vezes se esquecera dos antigos hábitos. Ainda que o seu quotidiano fosse agora rodeado de indiferença, a sapiência de velhas gerações restava ainda nos seus encostos. A minha visita iria acabar depressa, mas os breves momentos de serenidade que me entregara ficariam para sempre marcados na película da minha vida.

terça-feira, maio 24, 2011

Frames II

O dia brilhava alimentado por um sol radiante e expressivo que me acamava naquele pedaço de terra. Era só mais um porto, mais gentes, mais um dia, mas como em outras ocasiões a preguiça que me ajudava a saborear o momento fazia-me também entender que em todas as ligações existe um vazio, um poço de nada que apenas transporta a energia que nos suporta. Entre Lisboa e Almada, duas células da humanidade que construímos como pudemos, continua a correr o Tejo. O tempo passa, as paisagens mudam, mas certos vazios estarão sempre presentes para nos lembrar que ainda que deles nos sirvamos, nada podemos fazer para os tornar nossos.

segunda-feira, maio 23, 2011

Frames I

O dia acabava; Pelo menos a parte do dia em que as obrigações me encobrem as vontades e em que o sol chama por mim à janela do escritório. Saio, respiro o ar amargo de Lisboa e ainda assim, vem-me à lembrança uma liberdade que os compromissos há muito cativaram. Entro no carro e rapidamente me entrego ao inferno das ruas em hora de ponta. Os carros atropelam-se, as pessoas fogem apressadas e sem mais para onde fugir, refugio-me nas imagens de uma cidade que tanto me entrega como me consome. Parado no vermelho olho o espelho... Não sou o único escravo, penso. Afinal este inferno não passa da soma dos infernos pessoais de cada um nesta cidade.

Encontros II

Era uma vez um jovem nascido em Portugal. Vivia numa semana em que os mistérios da compreensão entre as mãos que o criaram deixavam de ser obscuros e percebendo que a razão é um cantinho muito especial na mente de cada, o conjunto das experiências que antes de existir o moldaram faziam agora todo o sentido. Afinal, era só mais uma semana de desafios, de dúvidas, mudanças, aprendizagens e de olhos bem abertos a novas realidades. Tinha agora vinte cinco. A família ostentava-o (como sempre), e entre esse manto primitivo e confortável fazia por mostrar finalmente parte daquilo que o fazia segurar tal conjunto de crenças. Talvez nada tivesse sido em vão... Tudo era parte de um bloco, qual super estrutura finamente conectada por pequenos pontos em cruz; Era um quadro começado no inicio do tempo mas do qual só podia interpretar as mais recentes representações. “Talvez as escolhas não existam de todo...” Assim invalidava as desconfianças e identificadas as pontes por onde podiam trocar as espalhadas camadas desse puzzle multidimensional, tomavam-se agora partidos numa luta, que tendo deixado de ser luta mostrava apenas uma forma de agir perante novas aquisições.
Sem dúvida os devaneios de uma tela recentemente passada pareciam agora uma piada de mau gosto, um hino triunfal à falta de humanidade transportada por anos de comunicação deficiente e de orgulhos demasiado ignorantes para sequer serem motivos. As razões eram sabidas; a falta daquele pedacinho de compaixão que nos fizeram deixar no berço tinha-o feito misturar o existir e o ser.
Depois de uma taça de morangos brilhantemente cobertos por chantilly, via a situação criada naquele redondo de experiências como um pequeno mal-entendido; um piscar de olhos no momento certo, um ruído subatómico que se sente sem se notar, um lapso de uma vida passada ou a visão deturpada por substâncias xamânicas e na moldura seguinte, o suave doce creme tinha sido trocado por maionese... Faziam sentido os mal entendidos; “Afinal, quando nos deixamos confiar uma só taça de morangos com maionese pode foder todas as boas intenções”
Felizmente, os seus infinitos debates com cada uma das suas mentes não tinha apenas servido a esquizofrenia mas tinha-o também preparado para este tipo de deformações da realidade e assim, o nascimento de um novo ser suportado por ocultas nuvens de inquietação fazia-o sentir revigoradamente feliz.


Era uma vez um jovem nascido no Bangladesh. Vivia numa semana em que as flores que vendera pouco lhe davam de comer, mas pouco interessava; A força de uma natureza superior transmitia-lhe a energia que as suas raízes guardaram com os milénios e a capacidade de adaptação a qualquer tipo de moldura dava-lhe uma dose de realismo que envergonhava quem para ele olhava. Afinal, era só mais uma semana de desafios, de duvidas, de mudanças, aprendizagens e de olhos bem abertos a novas realidades. Tinha agora 20 anos. A família não sabia dele à meses (como sempre), e entre esse natural abandonar do berço, fazia por continuar a mostrar tal conjunto de convicções. De qualquer forma, tinha que as manter para sobreviver... Tudo fazia parte de um todo, de um destino que o trouxera ao mundo e que com pancadas desajeitadas o empurrara até aquele momento de clareza; Não interpretava nada, o passado nunca lhe tinha dado de comer e o futuro... bem, “Que interessa o futuro se não tiver pão e agua...” Assim, desconfiava do destino e identificadas as pontes por onde podia trocar acções por alimento dava passos de felino na esperança que as ténues passagens não se dissolvessem com o andar.
Olhava em volta, respirava milhões de vidas a cada instante; A vida parecia-lhe sempre uma piada de mau gosto, um hino triunfal à decadência da humanidade e ao desequilibro daquele micro-ponto do universo. Não lhe cabiam as razões, o espaço tinha sido ocupado por reflexos; Tinha deixado à muito de ser, somente existia
Depois de mais uma flor brilhantemente mascarada de esmola, via a situação ali realizada como um brutal abuso de consciência mas rapidamente a fome fazia-o focar-se na próxima agradecida violação das suas necessidades; um piscar de olhos no momento certo, um ruído subatómico que se sente sem se notar, um lapso de uma vida passada ou a visão deturpada por substancias xamânicas e na moldura seguinte, mais uma flor podia dar lugar a alimento... Só existiam mal entendidos; “Afinal, se confiar na justiça do dia-a-dia na melhor das hipóteses sou preso”
Felizmente, os seus infinitos e miseráveis exemplos de vida tinham-o preparado para este tipo de deformação da realidade e assim, a continuação de um existir suportado por ocultas nuvens de inquietação fazia-o sentir revigoradamente feliz.


Era uma vez uma noite. Era só mais uma como tantas outras, poluída, histericamente iluminada, pavorosamente povoada por invólucros que um dia contiveram algo mais que um numero.
Um era Outro existia; entre as realidades dos dois micro-cosmos uma barreira de luz deixou a verticalidade habitual e em jeito de repouso deixou-se adormecer entre os olhares destas criaturas. A fantasia desapareceu, as diferenças morreram sufocadas por lufadas de ar, os números que os prendiam somaram-se, as alianças que os separavam dividiram-se... os sorrisos fundiam-se como estrelas e perante tamanha troca de energia o tempo parou. As flores deixaram de existir, os hinos de ter razão; a verdade não era mais projecto, era o suporte físico que os unia.

terça-feira, maio 17, 2011

Jardins

Doce e fiel criação... Tudo começou bem, dentro dos padrões de miséria vivida naquele execrável jardim de degradação. A inocente meretriz dobrava os instintos e com a vontade amarrada a uma mesa moribunda, via injectado em si a continuidade de um mal que já não passava de desconfortável.
Ao terminar o sacrilégio, a vida deu de si e sem se aperceber do berço que a criava, multiplicou-se freneticamente, tentando assim alcançar a tão desejada liberdade.
Não demorou, até a miséria que girava em volta da concepção conceber mais do que era suposto, mais do que era permitido, e assim, as raízes da depravação soltaram-se no útero de um destino que ia nascendo já sem vida.
Eventualmente, dado a vigorosa forca que emanava de tão singela existência, de tão propositado golem, as barreiras foram superadas, e o ciclo completou o primeiro grande desafio.
Agora, uma consciência ainda prematura espreitava pela primeira vez todo um novo mundo de sensações; Tudo agora esperava, tudo fazia parte de um novo estar, de uma nova oportunidade para a liberdade promover as suas conquistas, e assim, continuar a propagação de uma obra que celebrava a harmonia do universo.

Porem, essa serena consciência tinha sido marcada, esculpida até então por inúmeras e severas estocadas de uma mão que há muito tinha escapado ao equilíbrio. Essas marcas, eram invisíveis, eram apenas pequenos pontos que ligavam uma estrutura, e que sem inibir o funcionamento da mesma, deixavam a convicção de tudo continuar a linha que o tempo moldou.
Esperava-o a liberdade (pensava), a oportunidade de se elevar ate um ponto onde só a nós nos é permitido chegar, mas invés disso, a crueza duma verdade coberta de lama tinha já executado todas as possibilidades.

Pedaços V

É todo um novo mundo de processos que me faz avançar 24/7

Depois do mau estar inicial, o corpo e a mente começam a acostumar-se aos novos desafios, os estranhos sentimentos reduzem a intensidade e as novas sensações emergem a cada dia.
As portas do subconsciente abriram-se ligeiramente, e ainda sem perceber muito bem como controlar todos os impulsos, vejo-me deparado com pedaços de arte, que com o simples envelhecer se transformaram em peças de um puzzle sobre o mais profundo dos meus estados.
Agora, enquanto obrigatoriamente repouso começo a conscientemente guiar o subconsciente na procura por soluções para os mais variados assuntos. É um novo e bizarro mundo, onde a realidade ainda que não existindo numa plataforma física, parece existir virtualmente, criando uma ponte entre as duas partes da minha existência.
São ainda só pequenas demonstrações de magia, mas, se os sentimentos estiverem certos, o controle sobre tal habilidade poderá vir a demonstrar-se assustadoramente interessante.

Tento controlar os cordelinhos que até agora me controlavam

segunda-feira, maio 16, 2011

Visões II












O metro parou
entraste confuso
incomodaste algo
pedias desculpa
os olhos bondosos
imagem suja
um olhar perdido
talvez certo
demasiado...

A cabeça girava
girava girava
carrossel ou dança
viajem era certamente
vias algo
vias mais que nós
sentias tudo

Estavas ali
vias-me de outro universo
sei que voavas
existias noutra dimensão
era demais
demasiado longe
perdi-te

Já não sabia
receei-te
protegi-me
não deixei de tentar
encontrar-te

Depois
saíste e eu fiquei

Pensamentos III

Existem semanas em que tenho a certeza que alguém anda a brincar com as minhas convicções...
Certamente é só o meu subconsciente a testar a minha preparação para o próximo nível, mas, não consigo deixar de ficar estupefacto com a falta de aleatoriedade que conseguimos impor ao mundo à nossa volta.

sexta-feira, maio 06, 2011

Visões












O metro arranca
sentada ao meu lado
saca um caderno
dedos negros carregam palavras
hippie style
mendigo beat
não pestaneja
não ouve em volta
a escrita começa

Outro vê para dentro
não esboça vida
carrega marcas pesadas
estão afastados
talvez se conheçam
o metro para
o outro abre a mala
os olhos fechados
o mover lento
o arrastar palpitante
saca um caderno

Ela volta
a escrita parou
o outro começa
o metro arranca
os olhos fechados
as palavras escrevem-se
lentas e cegas
talvez loucas
Será que se sabem?

Ela segue
ajeita as marcas
parece heroína
existe brio
segreda-lhe ao ouvido
toca-lhe no ombro
conhecem-se
compreendem-se
parecem o mesmo
são dois
o caderno abre-se
as palavras não são cegas
mas são-me mudas

O metro para
eu arranco
eles ficam

sexta-feira, abril 29, 2011

Tempo II

O tempo, nada entrega nem nada transforma
O tempo encripta o momento, confunde a verdade
O tempo cria espaço para a fantasia

A realidade tem uma só verdade
A verdade não depende do tempo
A verdade é factual

O tempo é uma ilusão do nosso cérebro
O movimento, transforma
O tempo, apenas permite ao movimento rever a trajectória