Depois de um fim-de-semana meio surreal, onde a minha concentração esteve dispersa entre várias galáxias diferentes, foi com enorme espanto que recebi notícias sobre a manifestação do último sábado. Confesso, que estando longe e conhecendo a realidade portuguesa como até aqui se me apresentou, não esperava (de todo), esta massiva adesão, em que os números fizeram impressionar um pouco por toda a Europa.
Bem, pela adesão a esta iniciativa, fiquei sem dúvida feliz! Fiquei feliz por ver os primeiros passos para a requalificação dos nossos cidadãos, enquanto agentes activos nas tomadas de decisão de um sistema, que há muito não funciona no seu sentido estrito.
Por outro lado, e como não podia deixar de ser (dado o nível de consciência politico-economico-social que o povo português não desenvolveu nas ultimas décadas), a manifestação pareceu-se mais com um desfile de carnaval do que realmente com algo ligado à luta pelos direitos dos Portugueses. Posso estar enganado, mas pareceu-me que a grande maioria dos manifestantes, saiu à rua por motivos puramente superficiais, e que muito poucos tinham consciência do que realmente significa uma manifestação.
Foi no mínimo caricato, ver numa manifestação dita pacifica, laica e apartidária, grupos de anarquistas, neo-nazis, militantes da JSD, deputados do PCP ao CDS e outros tantos grupos, representando valores, que pouco tinham a ver com o intuito da mesma.
Ainda assim, o impacto existiu, e aparentemente chegou longe. Habituados a manifestações, quase diariamente, e, realmente adaptados a um estilo de vida, em que a luta pelos seus direitos parece ser mandatário, foram vários os gregos, que, sem eu tocar no assunto, me fizeram chegar o seu agrado por ver tamanha movimentação, ainda que, todos eles tenham ficado de alguma forma revoltados, pela falta de consciência sobre os valores que movimentaram tanta gente. É curioso perceber, que fomos tão suaves e superficiais na maneira como nos manifestamos, que qualquer grego que tenha visto as imagens, percebeu em 10 segundos que ninguém sabia muito bem o que estava ali a fazer.
No fim, ainda que bastante mal definida, digamos que vejo a manifestação como um sucesso, dado a quantidade de informação que pôs a circular. Agora, cabe a cada um de nós perceber qual o seu papel nesta grande moldura, pois, sair à rua é bonito, mas mais bonito é perceber o porquê. Esperemos que na próxima manifestação, os mesmos erros não sejam cometidos.

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