sexta-feira, março 11, 2011

Nós V

A imensidão aguarda nervosa

Os paraísos perdidos no tempo, de alguma forma, foram conquistados por necessidades desproporcionadas, em prol de magnificentes estilos de vida.
Todos estes últimos atalhos para a compreensão da evolução e de como uma serie de inesperados eventos moldaram o nosso mundo, têm agora alguns milhares de milhões de inimigos, que, cultivando idiotice em lugar de causalidade, arrastam com eles biliões de formas de vida a cada dia.
É curioso identificar o equilíbrio que nos trouxe até aqui, e realmente fascinante absorver os restantes pedaços vivos de história, que analisados pela nossa enorme capacidade de destructurar cenários, nos contam detalhadamente como somos possíveis.

É aqui, quando chegamos ao campo das possibilidades, que me tento a pensar que algum defeito na nossa evolução, nos fez sair fora de um ciclo que se reciclava há milhares de milhões de anos. Mas, assumindo que a evolução, para assim poder ser referida, não erra, podemos pressupor que somos apenas mais uma dos biliões de espécies que já habitaram este planeta e, que mais cedo ou mais tarde, mostraram não estar suficientemente adaptadas para lidar com os desafios.
Mais; Não pode ser apenas uma questão da nossa natureza, pois, sob todo o tipo de condicionantes, ou simplemente lançados no meio de exóticas abundâncias, milhares de homens, perdidos entre os já quase extintos últimos paraísos da terra, conseguiram sobreviver, e durante séculos, aprenderam a desenvolver posturas que lhes permite viver em harmonia com o que os rodeia, tornando-se assim, parte de um longo ciclo de renovação.

É de certa forma humilhante, quando nativos de remotas ilhas do pacífico sul, por vezes a milhares de milhas do pedaço de terra mais próximo, tendo como ferramentas, pouco mais que rudimentares utensílios de madeira, dêem conta das mudanças no globo através dos desequilíbrios em tão singulares ecossistemas, e tentando evitar perder o seu frágil estilo de vida, maximizam o pouco que têm, tentando assim contribuir para o restabelecer do equilíbrio.
O desenvolvimento deste tipo de consciência, foi o que aparentemente perdemos, quando decidimos trocar a humanidade pela economia...
Se estas pessoas vissem o que andamos a fazer todos os dias, é certo que morreriam de dor e decepção.

Bem vistas as coisas, é realmente humilhante para qualquer ocidental, homem equipado de utensílios complexos, com uma educação altamente qualificada, com modos de vida analisados de 30.000 pontos de vista diferentes, que no fim, o nativo de Anuta, tenha chegado ao que interessa uns quantos séculos mais cedo.

Felizmente, a nossa enorme capacidade de relacionar acontecimentos, aliada ao curioso facto de possuirmos um polegar, proporcionou-nos, tanto para a destruição, como para a geração de vida.
As consequências que o conhecimento teve sobre a espécie humana, ao longo dos últimos milhares de anos, é um fantástico equacionar de acasos, mas ainda assim, um equacionar que nos deu o poder de transformar quase tudo o que nos rodeia.
Quando olhamos atentamente para o actual estado da ciência, a única coisa que nos separa de num futuro não assim tão longínquo (dado os padrões da evolução), nos espalharmos pela longinqua vastidão do universo, é a deficiente falta de naturalidade, que por algum motivo, tanto nos orgulhamos de ostentar.

A multidão vive tranquila

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