Os teus olhos emergiam do nada, grandes, brilhantes, tão humanos como os meus. A tua graciosidade e simpatia, faziam-me pensar, que terias tu a mais, que tantos da minha espécie.
Sentia-te humana, consciente, desperta para o teu papel na perfeição da natureza. Sentia-te ligada a mim de uma forma, que já com poucos consigo realizar. Afinal, tinhas tudo aquilo que nós fizemos por esquecer, tudo aquilo que nos torna iguais, parte de um todo. Tinhas tudo isso escrito em ti, e sem uma consciência venenosa, simplesmente vivias, seguindo os prazeres que a vida te proporcionava.
Quando penso na palavra Humanidade e em tudo o que ela representa para nós, engasgo-me, volto a respirar, e concluo que só podemos estar errados. “Humanidade” é tudo aquilo que não cultivamos.
Talvez as palavras devam ser reformuladas. Talvez o ser “animal” nos encaixe melhor.

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