Era um momento único, translúcido e obsceno. As paredes daquele reduto de tranquilidade, respiravam a cada implosão de sangue nas minhas veias aflitas. As cordas batiam frenéticas e com uma virginal inteligência orgânica, realizava-se o que gosto de chamar de ‘coup d'état’ de identidade. Os momentos refractavam-se ligados por compreensões, as preparações tinham ganho o seu espaço, a mente dilatava-se, e sem mais onde a reter, tudo era violentamente jogado ao ar numa presteza hipnotizante.
Os sonhos faziam parte do real, o real efectivava os sonhos, e a utopia de viver em pleno, erguia-se suportada por colossais pilares moldados por actos de fé.
Eram vorazes apetites lançados num mundo onde o pudor da personalidade por muito tinha afogado vontades e virtudes. Eram nuvens de felicidade libertina, de sensações escondidas, de emoções por partilhar. Era uma vida de gritos acumulados em caixas demasiado precárias.
Faltam ainda milhões de passos, mas a cada dia que passa, tudo se aproxima.

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