Esta ânsia por auto-reconhecimento abala-me os dias e ofusca-me as noites. Não sei ao certo qual é a meta, mas sinto claramente algo maior chamar por mim.
Acordo em cada dia sentindo que parei no espaço, mas, olhando para os relógios à minha volta vejo que o tempo passa cada vez mais depressa.
Olho para quem me acompanha e vejo nas suas vidas um reflexo daquilo no qual me vou tornando. Luto por não parar, por recuperar todas as horas perdidas em sonos inférteis. Luto por aprender, requalificar capacidades que esqueci em função duma sociedade que não me conhecia. Luto por afastar os sentimentos que me ligam a este pedaço de terra a qual chamo vida.
Sou mal entendido
Nasci com a estranha capacidade de amar demais, mostrando de menos.
Toda esta frieza pela qual tantas vezes me apontaram o dedo, todo este desgosto por cada dedo apontado... É difícil encontrar quem reconheça o verdadeiro significado da palavra amizade.
Durante muitos anos, a cada novo grupo de pessoas, um novo eu foi criado.
Em cada ambiente tive uma nova imagem, e em cada pessoa uma sensação. Sempre senti dificuldade em mostrar o meu intimo, portanto, sempre me deixei modelar pelos caprichos do grupo, lutando ao mesmo tempo contra a realidade que eu próprio criava.
Foi um paradoxo interessante, este que me guiou durante tanto tempo.
Agora, olho para trás e vejo que simplesmente nunca tive a coragem de assumir realmente aquilo que tanto queria mostrar.
Hoje tento resolver essa equação. De uma vez por todas por os pontos nos i´s e aos poucos mostrar ao mundo que aquilo que conheceu não passava de uma imagem das suas mentes projectada numa tela desfocada.
Hoje marco posição
A vida é demasiado minha para não a viver ao passo das minhas vontades. É demasiado curta para atender a caprichos de falsos amigos e patrões, de impotências alheias e de regras duma sociedade regida apenas por interesses económicos.
Hoje vivo só para mim, para os meus amores, as minhas ânsias, os meus desgostos e felicidades.
É óbvio que com tanto eu, nem sempre é fácil explicar a quem me ama, que o meu amor não é menos verdadeiro, nem tão pouco mais coerente, mas que simplesmente a minha vida existe a uma velocidade diferente.
É nestas alturas, que por muito que o cérebro diga para avançar, o corpo tem que descansar.
Rodeio-me então daqueles que a dignidade foi deixando, e durante breves instantes, o meu mundo volta a ser aquele cantinho, o eterno berço de criança, deixando espaço aberto para a minha mente repousar.
A cada metro que limito o meu espaço, o meu tempo acelera a uma velocidade incongruente